Sem narrativa alguma para o momento, continuo esperando alguma coisa acontecer de extraordinário na minha vida para que eu possa desencalhar. Mas não é fácil.
O que eu fico buscando a toda hora é alguma forma de prazer intenso para me saciar os desejos.
domingo, 29 de junho de 2008
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Sem Título
Porque tudo tem que ter título? Doutor é título.
Tá lá ele que caga cheiroso pacas se sujando de graxa pra deixar de ser "babaquara" como diz o carioca.
O outro, filho de caboca, (esta estudando pra ser também), está lá comendo feito um bicho. Deixa pra lá. Eu não tenho nada com isso.
Uma coisa que me causou espanto foi um cartaz que dizia: "Trabalho remunerado nos Estados Unidos". Pleonasmo, todo trabalho tem que ser remunerado. Trabalho não remunerado é trabalho escravo. Eu sinto vergonha pela instituição de permitir isso.
Tem gente pagando pra trabalhar. Pode?
Fica o tema sem título para reflexão.
Tá lá ele que caga cheiroso pacas se sujando de graxa pra deixar de ser "babaquara" como diz o carioca.
O outro, filho de caboca, (esta estudando pra ser também), está lá comendo feito um bicho. Deixa pra lá. Eu não tenho nada com isso.
Uma coisa que me causou espanto foi um cartaz que dizia: "Trabalho remunerado nos Estados Unidos". Pleonasmo, todo trabalho tem que ser remunerado. Trabalho não remunerado é trabalho escravo. Eu sinto vergonha pela instituição de permitir isso.
Tem gente pagando pra trabalhar. Pode?
Fica o tema sem título para reflexão.
terça-feira, 17 de junho de 2008
JB-Opinião - Desígnios de Deus em debate
Opinião - Desígnios de Deus em debate
Jarbas Passarinho
Há dias, cansado de ouvir argumentos a favor e contra as heranças positivas e negativas de 68, como as definiu Zuenir Ventura (obcecado por analisar o AI-5), assisti a um saboroso debate sobre os desígnios de Deus. Um, ateu, o outro um católico que tem horror dos que o são apenas de recenseamento. Ambos professores universitários. Haviam se desviado do tema da revolta universitária iniciada em Nanterre e logo ampliada na Sorbonne, e que por pouco não obrigou De Gaulle à renúncia.
Revolução universitária severa, mas que, inimiga da universidade liberal, a quem opôs o lema "É proibido proibir", não levantou propostas de reformas, merecendo de Raymond Aron o livro intitulado La révolution introuvable. Deixando o debate empatado, voltou-se o católico para a frase de Lula sobre Deus. Infeliz – salientou – como de hábito nos seus improvisos, disse recente e patrioticamente que desde Pedro Álvares Cabral que a Amazônia é "nossa". Isso ainda é desculpável, pois não se pode esperar de um apedeuta, que antes de Cabral descobrir o Brasil, o papa Alexandre VI, pelo Tratado de Tordesilhas, dera aos espanhóis as terras hoje da Amazônia, que só se tornou brasileira pelo Tratado de Madri de 1750.
Isso ainda se perdoava, mas não o que leu, em seguida, a notícia da descoberta de petróleo, mais uma, na Bacia de Santos. " Lula disse estar muito feliz com a notícia, pois acha que Deus resolveu passar no Brasil e ficar, o que é muito importante para nós". Heresia imperdoável, pois nega a ubiqüidade de Deus que estaria parado na Amazônia. Milenarista ortodoxo, prosseguiu:"É por sandices dessa natureza, que se fala com freqüência no fim do mundo". O Brasil investiu vultosos recursos, décadas e décadas, desde o monopólio da Petrobras, para chegar à auto-suficiência. De súbito, passa a nadar em petróleo, porque Deus resolveu parar na Amazônia, e levar as sondas de prospecção até chegar à estrutura petrolífera?
O herege aproveitou-se da indignação. Provocou: "Até Umberto Eco, um ateu, falando do Apocalipse, escreveu ao cardeal Martini, com quem polemicava, que " o Apocalipse pode ser tido como uma promessa, mas também como o anúncio de um fim. Não mais as sete trombetas e as tempestades de pedra e fogo, e o mar que se transforma em sangue, a queda das estrelas, os gafanhotos que surgem em meio à fumaça do poço dos abismos e os exércitos de Gog e Magog e a besta que surge do mar, mas o multiplicar-se dos depósitos nucleares hoje descontrolados e incontroláveis, as chuvas ácidas, tudo isso será o fim.
No entanto essas tolices atormentam mesmo os que crêem na Parúsia, não obstante ateus. Entre o fim e a promessa, afirmam que ainda temos esperança". Da demonstração de erudição, passou à ironia, dizendo que não sabe que santo teria dito que Deus ama, caridosamente mais os que o negam que os que fingem nele crer. Falou dos que Ele protege, na América do Sul, os que se consideram ateus, por força da ideologia.
Um exemplo: os furacões que devastam o Caribe e os mapas das probabilidades apontam para Cuba de Fidel Castro, que providencia abrigos, mas no dia seguinte o furacão muda de direção, ultrapassa Cuba sem lhe causar dano algum e vai arrasar Katrina, e com o sofrimento causa tremenda impopularidade a Bush, freqüentador de sua Igreja. De Chávez, outra prova.
Se diz discípulo de Marx, e conseqüentemente materialista, depois de tentar sem êxito um golpe de Estado contra um presidente eleito pelo voto direto, acaba anos depois elegendo-se presidente, cheio de problemas financeiros, pois o barril de petróleo vale 18 dólares.
A Venezuela é conhecida como um Estado rico e um povo pobre. Deus o socorre. Faz o preço subir em curva exponencial, progressivamente a 50 dólares a 80 e como ainda é pouco, bate o recorde a 130 dólares o barril. Como parou na Amazônia de Humboldt, solidifica sua popularidade imbatível com abundância de petróleo para empreender a política assistencialista de distribuição de bolsas.
Dá-lhe asas para unir-se, com o troco das achegas financeiras aos pobres, a vizinhos que ajuda a vencer eleições e expropriar o patrimônio dos países que, não sendo ricos, são menos pobres. Por tudo isso, prefiro que Deus cochile, como quer Lula, na Floresta Amazônica.
[ 17/06/2008 ] 02:01
Jarbas Passarinho
Há dias, cansado de ouvir argumentos a favor e contra as heranças positivas e negativas de 68, como as definiu Zuenir Ventura (obcecado por analisar o AI-5), assisti a um saboroso debate sobre os desígnios de Deus. Um, ateu, o outro um católico que tem horror dos que o são apenas de recenseamento. Ambos professores universitários. Haviam se desviado do tema da revolta universitária iniciada em Nanterre e logo ampliada na Sorbonne, e que por pouco não obrigou De Gaulle à renúncia.
Revolução universitária severa, mas que, inimiga da universidade liberal, a quem opôs o lema "É proibido proibir", não levantou propostas de reformas, merecendo de Raymond Aron o livro intitulado La révolution introuvable. Deixando o debate empatado, voltou-se o católico para a frase de Lula sobre Deus. Infeliz – salientou – como de hábito nos seus improvisos, disse recente e patrioticamente que desde Pedro Álvares Cabral que a Amazônia é "nossa". Isso ainda é desculpável, pois não se pode esperar de um apedeuta, que antes de Cabral descobrir o Brasil, o papa Alexandre VI, pelo Tratado de Tordesilhas, dera aos espanhóis as terras hoje da Amazônia, que só se tornou brasileira pelo Tratado de Madri de 1750.
Isso ainda se perdoava, mas não o que leu, em seguida, a notícia da descoberta de petróleo, mais uma, na Bacia de Santos. " Lula disse estar muito feliz com a notícia, pois acha que Deus resolveu passar no Brasil e ficar, o que é muito importante para nós". Heresia imperdoável, pois nega a ubiqüidade de Deus que estaria parado na Amazônia. Milenarista ortodoxo, prosseguiu:"É por sandices dessa natureza, que se fala com freqüência no fim do mundo". O Brasil investiu vultosos recursos, décadas e décadas, desde o monopólio da Petrobras, para chegar à auto-suficiência. De súbito, passa a nadar em petróleo, porque Deus resolveu parar na Amazônia, e levar as sondas de prospecção até chegar à estrutura petrolífera?
O herege aproveitou-se da indignação. Provocou: "Até Umberto Eco, um ateu, falando do Apocalipse, escreveu ao cardeal Martini, com quem polemicava, que " o Apocalipse pode ser tido como uma promessa, mas também como o anúncio de um fim. Não mais as sete trombetas e as tempestades de pedra e fogo, e o mar que se transforma em sangue, a queda das estrelas, os gafanhotos que surgem em meio à fumaça do poço dos abismos e os exércitos de Gog e Magog e a besta que surge do mar, mas o multiplicar-se dos depósitos nucleares hoje descontrolados e incontroláveis, as chuvas ácidas, tudo isso será o fim.
No entanto essas tolices atormentam mesmo os que crêem na Parúsia, não obstante ateus. Entre o fim e a promessa, afirmam que ainda temos esperança". Da demonstração de erudição, passou à ironia, dizendo que não sabe que santo teria dito que Deus ama, caridosamente mais os que o negam que os que fingem nele crer. Falou dos que Ele protege, na América do Sul, os que se consideram ateus, por força da ideologia.
Um exemplo: os furacões que devastam o Caribe e os mapas das probabilidades apontam para Cuba de Fidel Castro, que providencia abrigos, mas no dia seguinte o furacão muda de direção, ultrapassa Cuba sem lhe causar dano algum e vai arrasar Katrina, e com o sofrimento causa tremenda impopularidade a Bush, freqüentador de sua Igreja. De Chávez, outra prova.
Se diz discípulo de Marx, e conseqüentemente materialista, depois de tentar sem êxito um golpe de Estado contra um presidente eleito pelo voto direto, acaba anos depois elegendo-se presidente, cheio de problemas financeiros, pois o barril de petróleo vale 18 dólares.
A Venezuela é conhecida como um Estado rico e um povo pobre. Deus o socorre. Faz o preço subir em curva exponencial, progressivamente a 50 dólares a 80 e como ainda é pouco, bate o recorde a 130 dólares o barril. Como parou na Amazônia de Humboldt, solidifica sua popularidade imbatível com abundância de petróleo para empreender a política assistencialista de distribuição de bolsas.
Dá-lhe asas para unir-se, com o troco das achegas financeiras aos pobres, a vizinhos que ajuda a vencer eleições e expropriar o patrimônio dos países que, não sendo ricos, são menos pobres. Por tudo isso, prefiro que Deus cochile, como quer Lula, na Floresta Amazônica.
[ 17/06/2008 ] 02:01
quarta-feira, 14 de maio de 2008
"Cabôca cherosa"
Que Verônica que nada! Gostosa mesmo é essa caboclinha cheirosa que só. Gôsto de igarapé geladinho
Ela não me sai da cabeça (de baixo)...
Pois é, já faz um bom tempo que não a vejo. Estou precisando interagir um pouco com ela. Um cafuné e tal...
Ela não me sai da cabeça (de baixo)...
Pois é, já faz um bom tempo que não a vejo. Estou precisando interagir um pouco com ela. Um cafuné e tal...
domingo, 11 de maio de 2008
A FESTA DE MARTA
Como hoje sou um catador de poemas, colhi fragmentos de versos naquele jantar de sexta-feira, lá na casa da Marta, em Niteói/Rio, em que comemos um bom pirarucu, uma boa cerveja e batemos um bom papo. Recolhi pedaços de versos que as pessoas deixaram cair durante suas conversas, seus abraços e seus risos. Eu ficaria feliz se vcs dessem uma olhada na Estante do Cyrino0, na page dos Bessa, porque atualizei ontem com o Heyrton, minhas poesias. Vejam abaixo o pequeno poema que fiz para lembrar aquele jantarzinho na varanda da casa da Marta. Não é uma Festa de Babet, mas A FESTA DE MARTA
A Festa de Marta
José Dantas Cyrino Jr.
Marta, hoje o mar tá agitado,
não dá pro Pedro pescar,
eu trouxe um peixe do rio
pra gente fazer um jantar.
Mas põe a casaca no peixe
porque hoje o Rio está frio,
e vem preparar o jantar.
Vamos, Marta, para a varanda,
anda que a comida está farta,
anda que o peixe está pronto
e eu já servi a bebida,
vamos brindar ao reencontro
vamos comemorar a vida.
Beijos. Nào deixEM de dar uma olhada nas poesias atualizadAS.
José Dantas Cyrino Júnior
José Dantas Cyrino Júnior
quinta-feira, 1 de maio de 2008
O QUE LISA CONTA
CONTO 6 - Uma história quase verdadeira
.Quando a família de Edvaldo se mudou para aquele lugar, ele tinha oito anos de idade. Gerardo, seu irmão, já ia fazer sete. A casa ficava em um conjunto residencial que tinha acabado de ser construído. O bairro era deserto e poeirento, isolado do resto do mundo. Não havia televisão, nem telefone, nem mesmo luz elétrica. A casa era iluminada por uma espécie de motor de luz que funcionava das 7 às 9 da noite. Depois, só lampiões, velas ou lamparinas à querosene. Com esse tipo de iluminação não se podia ler muito, então as crianças se divertiam com jogos de luz e sombra. Com as mãos, faziam formas de animais que se projetavam na parede. Às vezes escutava-se música no rádio à pilha. As vezes, quando tinha mais gente, principalmente meninas, brincavam de roda, “Corre-corre macuchila”, “Caí no poço”, esconde-esconde e outras brincadeiras coletivas.
Como as noites eram frescas, apesar do clima tropical, os pais costumavam acender fogueiras no quintal que serviam tanto para se aquecer quanto para clarear o ambiente. Às vezes contava-se histórias de assombração (Brrrrr...) ao redor da fogueira.. A cada história as crianças iam chegando mais perto dos pais... e fechavam os olhos e se assutavam com as sombras das árvores e o com o piar da coruja. Ninguém tinha coragem de se levantar dali nem pra fazer xixi. Mesmo morrendo de medo, pediam pra contar outra e mais outra e mais outra... Conclusão: na hora de dormir, iam todos para cama da mamãe!
Durante o dia, o único barulho que se ouvia era o do ônibus de madeira, pintado com cores extravagantes, que circulava no bairro a cada duas horas. A casa ficava quase no ponto final da linha, que sem dúvida, era também o ponto final do mundo. Havia poucas casas habitadas no conjunto. Mas como eram famílias numerosas tinha criança de tudo que era idade. As outras casas permaneciam vazias e sem chaves, à disposição da meninada que brincava de esconde-esconde e outras brincadeiras, em noite de lua cheia.
Além do conjunto em que moravam via-se apenas alguns casebres, espalhados, quilômetros de distância entre um e outro. Para quem estava acostumado a viver no centro da cidade, o lugar parecia mágico! Um silêncio absoluto reinava naquela espécie de vale sem montanhas, interrompido, ora pelo canto de toda espécie de pássaros, ora por concertos, em duas vozes, de sapos e cigarras, à boca da noite. À noite, o pisca-pisca dos vaga-lumes iluminava os caminhos secretos que os levavam a lugar nenhum. Fazia quase frio de madrugada. Os meninos pareciam felizes, vestidos em seus pijamas de mangas compridas, especialmente confeccionados para serem usados na casa nova.
Antes eles moravam num casarão antigo que alugavam no centro histórico da cidade. Lá havia pelo menos uma dezena de cômodos: quartos, banheiros, copa e cozinha, sala de jantar e um imenso corredor onde se passeava de bicicleta. No final do corredor, depois da copa, ficava o terraço (onde o pai tocava bandolim, todos os dias, ao cair da tarde). No fundo havia um enorme quintal, cheio de árvores frutíferas, entre elas uma mangueira centenária. Ah, tinha também um porão mal-assombrado! (Mas isso é uma história à parte...). A casa nova, ao contrário, era pequena, com apenas três quartos, uma sala, cozinha, banheiro e um pequeno hall de entrada. No entanto, havia bastante terreno ao redor da casa e todo o resto do bairro. A rua os pertencia, como uma extensão da casa. E do outro lado da estrada de poeira era a floresta, mata virgem e misteriosa: o paraíso proibido ao alcance das mãos.
Julho era um mês de estiagem. Quase não chovia e os dias eram ensolarados. Foi nesse período que, pela primeira vez, se ultrapassou a fronteira do paraíso. Adultos e crianças, jovens e menos jovens, pais, filhos, cachorros e papagaios, atravessaram a pista rumo à descoberta da Floresta. Um atrás do outro, munidos de facões, machados e roupas de banho, lançaram-se na grande aventura, em busca de frutos e plantas, de fontes de água e de emoções. Foi assim que encontraram um riacho de águas cristalinas que transformaram pouco a pouco numa verdadeira piscina natural.
A partir de então, durante meses e meses, ou talvez anos, todos os domingos e feriados, a vizinhança toda se reunia no “banhozinho” onde se passava o dia inteiro brincando dentro d’água, comendo peixe assado na brasa, jogando bola, subindo em árvores, saltando dos galhos, colhendo frutos das árvores: buriti, açaí, ingá, maracujá do mato, jatobá, sorva, etc. E aproveitavam da água e do sol até desaparecer o último raio de luz sobre a mata cerrada que iluminava o caminho de volta.
O odor das folhas perfumadas e o cheiro de terra molhada permanecem ativos na memória dos calvos “meninos. O calor úmido e o sol através das copas das árvores gigantes ainda queimam suas peles ressecadas. O barulhar do igarapé, o estalar das seringueiras ecoam em seus ouvidos e seus olhos parecem ainda ver os meninos, ensopados, correndo para apanhar as “seringas” espalhadas no chão de areia quente.
.Quando a família de Edvaldo se mudou para aquele lugar, ele tinha oito anos de idade. Gerardo, seu irmão, já ia fazer sete. A casa ficava em um conjunto residencial que tinha acabado de ser construído. O bairro era deserto e poeirento, isolado do resto do mundo. Não havia televisão, nem telefone, nem mesmo luz elétrica. A casa era iluminada por uma espécie de motor de luz que funcionava das 7 às 9 da noite. Depois, só lampiões, velas ou lamparinas à querosene. Com esse tipo de iluminação não se podia ler muito, então as crianças se divertiam com jogos de luz e sombra. Com as mãos, faziam formas de animais que se projetavam na parede. Às vezes escutava-se música no rádio à pilha. As vezes, quando tinha mais gente, principalmente meninas, brincavam de roda, “Corre-corre macuchila”, “Caí no poço”, esconde-esconde e outras brincadeiras coletivas.
Como as noites eram frescas, apesar do clima tropical, os pais costumavam acender fogueiras no quintal que serviam tanto para se aquecer quanto para clarear o ambiente. Às vezes contava-se histórias de assombração (Brrrrr...) ao redor da fogueira.. A cada história as crianças iam chegando mais perto dos pais... e fechavam os olhos e se assutavam com as sombras das árvores e o com o piar da coruja. Ninguém tinha coragem de se levantar dali nem pra fazer xixi. Mesmo morrendo de medo, pediam pra contar outra e mais outra e mais outra... Conclusão: na hora de dormir, iam todos para cama da mamãe!
Durante o dia, o único barulho que se ouvia era o do ônibus de madeira, pintado com cores extravagantes, que circulava no bairro a cada duas horas. A casa ficava quase no ponto final da linha, que sem dúvida, era também o ponto final do mundo. Havia poucas casas habitadas no conjunto. Mas como eram famílias numerosas tinha criança de tudo que era idade. As outras casas permaneciam vazias e sem chaves, à disposição da meninada que brincava de esconde-esconde e outras brincadeiras, em noite de lua cheia.
Além do conjunto em que moravam via-se apenas alguns casebres, espalhados, quilômetros de distância entre um e outro. Para quem estava acostumado a viver no centro da cidade, o lugar parecia mágico! Um silêncio absoluto reinava naquela espécie de vale sem montanhas, interrompido, ora pelo canto de toda espécie de pássaros, ora por concertos, em duas vozes, de sapos e cigarras, à boca da noite. À noite, o pisca-pisca dos vaga-lumes iluminava os caminhos secretos que os levavam a lugar nenhum. Fazia quase frio de madrugada. Os meninos pareciam felizes, vestidos em seus pijamas de mangas compridas, especialmente confeccionados para serem usados na casa nova.
Antes eles moravam num casarão antigo que alugavam no centro histórico da cidade. Lá havia pelo menos uma dezena de cômodos: quartos, banheiros, copa e cozinha, sala de jantar e um imenso corredor onde se passeava de bicicleta. No final do corredor, depois da copa, ficava o terraço (onde o pai tocava bandolim, todos os dias, ao cair da tarde). No fundo havia um enorme quintal, cheio de árvores frutíferas, entre elas uma mangueira centenária. Ah, tinha também um porão mal-assombrado! (Mas isso é uma história à parte...). A casa nova, ao contrário, era pequena, com apenas três quartos, uma sala, cozinha, banheiro e um pequeno hall de entrada. No entanto, havia bastante terreno ao redor da casa e todo o resto do bairro. A rua os pertencia, como uma extensão da casa. E do outro lado da estrada de poeira era a floresta, mata virgem e misteriosa: o paraíso proibido ao alcance das mãos.
Julho era um mês de estiagem. Quase não chovia e os dias eram ensolarados. Foi nesse período que, pela primeira vez, se ultrapassou a fronteira do paraíso. Adultos e crianças, jovens e menos jovens, pais, filhos, cachorros e papagaios, atravessaram a pista rumo à descoberta da Floresta. Um atrás do outro, munidos de facões, machados e roupas de banho, lançaram-se na grande aventura, em busca de frutos e plantas, de fontes de água e de emoções. Foi assim que encontraram um riacho de águas cristalinas que transformaram pouco a pouco numa verdadeira piscina natural.
A partir de então, durante meses e meses, ou talvez anos, todos os domingos e feriados, a vizinhança toda se reunia no “banhozinho” onde se passava o dia inteiro brincando dentro d’água, comendo peixe assado na brasa, jogando bola, subindo em árvores, saltando dos galhos, colhendo frutos das árvores: buriti, açaí, ingá, maracujá do mato, jatobá, sorva, etc. E aproveitavam da água e do sol até desaparecer o último raio de luz sobre a mata cerrada que iluminava o caminho de volta.
O odor das folhas perfumadas e o cheiro de terra molhada permanecem ativos na memória dos calvos “meninos. O calor úmido e o sol através das copas das árvores gigantes ainda queimam suas peles ressecadas. O barulhar do igarapé, o estalar das seringueiras ecoam em seus ouvidos e seus olhos parecem ainda ver os meninos, ensopados, correndo para apanhar as “seringas” espalhadas no chão de areia quente.
sexta-feira, 11 de abril de 2008
PENSANDO NELA
Hoje eu tenho que pensar nela! Eu preciso dela.
Não se pode viver lutando contra a natureza.
É melhor flutuar e se deixar levar pela correnteza.
Eu quero sentir o corpo dela! Mesmo sendo ela uma cadela.
Que m.! Definitivamente, não sei escrever. Desisto!
Não se pode viver lutando contra a natureza.
É melhor flutuar e se deixar levar pela correnteza.
Eu quero sentir o corpo dela! Mesmo sendo ela uma cadela.
Que m.! Definitivamente, não sei escrever. Desisto!
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